Expansão do turismo e novos empreendimentos reposicionam regiões estratégicas do estado para os próximos 10 anos
Por Aline Saphier
O mapa da valorização imobiliária em Alagoas começa a se redesenhar com rapidez, impulsionado por turismo em expansão, novos empreendimentos e mudanças no perfil do investidor. Nos últimos anos, o estado passou a figurar com mais frequência nas análises do mercado nacional, sobretudo pela performance da capital e pelo avanço do turismo no litoral e no interior. Em 2025, por exemplo, Maceió registrou crescimento de 21% nas vendas de imóveis verticais e movimentou cerca de R$ 3,7 bilhões em Valor Geral de Vendas (VGV), com valorização média de 10,5% no metro quadrado em apenas 12 meses.
A capital continua sendo a principal referência de liquidez do mercado. O metro quadrado em bairros como Ponta Verde e Jatiúca já ultrapassa a casa dos R$ 12 mil, e a valorização acompanha o movimento de cidades turísticas brasileiras que vivem ciclos imobiliários semelhantes, como Florianópolis ou Balneário Camboriú. Mesmo assim, especialistas apontam que a próxima década deve marcar uma descentralização do crescimento, com investidores olhando para novas áreas do estado onde ainda existe margem expressiva de valorização.
Entre os destinos mais promissores está o litoral norte, impulsionado pela chamada Rota Ecológica dos Milagres e por cidades como Maragogi, Japaratinga e Porto de Pedras. O fluxo turístico crescente tem elevado o valor dos imóveis e atraído projetos voltados para segunda residência e hospitalidade de alto padrão. Maragogi, por exemplo, já registra valores médios próximos de R$ 14,7 mil por metro quadrado, patamar comparável a alguns dos destinos mais valorizados do Nordeste.
O litoral sul também entra nesse radar de crescimento, especialmente em municípios próximos à capital, como Marechal Deodoro e Barra de São Miguel, onde a expansão da infraestrutura turística e novos empreendimentos residenciais têm acelerado a valorização imobiliária. O fenômeno acompanha o avanço do turismo no estado, que já movimenta mais de R$ 3,6 bilhões por ano na economia local, consolidando Alagoas como um dos destinos mais dinâmicos do Nordeste.
Outro vetor de crescimento começa a surgir longe do mar. No interior turístico, cidades históricas como Piranhas ganham protagonismo com projetos imobiliários voltados ao turismo de experiência e ao mercado de segunda residência. Empreendimentos de alto padrão, alguns com investimentos que se aproximam de R$ 100 milhões, indicam uma nova fase de interiorização do mercado imobiliário alagoano. Se a tendência se confirmar, o estado pode repetir movimentos observados em destinos consolidados do país, onde o desenvolvimento turístico acabou redesenhando completamente o mapa da valorização imobiliária na década seguinte.
